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30 de jan de 2012

Centenário de Glórias - Píndaro de Carvalho

Acompanhe a série clicando aqui.

No segundo post da série Centenário de Glórias, nosso homenageado será o primeiro grande zagueiro que vestiu o Manto Sagrado: Píndaro de Carvalho. E como veremos, ser o primeiro era algo comum na carreira do Gigante de Pedra, seu apelido na época.
  
Píndaro de Carvalho Rodrigues nasceu em São Paulo, no ano de 1892. Começou a jogar futebol em 1910 no FlorminenC, sendo titular da equipe campeã Carioca de 1911. Foi ao lado de Borgerth um dos fundadores do Departamento de Esportes Terrestre do Flamengo, em dezembro de 1911Presente na primeira partida disputada pelo Mengão, esteve no clube de 1912 a 1922, disputando ao todo 82 partidas e marcando três gols. Pelo clube foi quatro vezes campeão Carioca, sendo Bicampeão em 1914/15 e 1920/21.

Píndaro era um zagueiro-central alto e forte, que tinha uma grande impulsão e usava seu porte físico para se impor aos adversários. Essas características, somadas a sua forte liderança, lhe renderam o apelido de Gigante de Pedra. Vale lembrar que naquela época o futebol era muito ofensivo, assim pouquíssimos defensores conseguiam se sobressair no período do futebol amador.

O primeiro Fla-Flu da história, apesar do Mengão perder por 3x2, teve um gosto especial para Píndaro, pois se tornou o primeiro zagueiro a marcar um gol na história do clube. No primeiro jogo do Mengão fora do Rio de Janeiro, em 1914 na Arena da Baixada em Curitiba (inauguração do estádio), Píndaro, além de ter se destacado na zaga, marcou um gol e deu uma assistência contribuindo para a goleada por 7x1 sobre o Internacional-PR.

No primeiro título do Mengão, o Carioca de 1914, Píndaro também foi decisivo. O América vencia por 1x0, e o Mengão partia com todos os jogadores para o ataque em busca do empate. Esse espírito ofensivo do time já havia nos custado algumas derrotas e viradas, que vinham impedindo a conquista do primeiro título. Até que numa bola cruzada na área, Píndaro marcou o gol de empate, que acabou abrindo caminho para a virada por 2x1. 

 
Também em 1914, a Federação Brasileira de Sports, antecessora da CBF, reuniu pela primeira vez jogadores das principais equipes do Rio e de São Paulo, montando a primeira Seleção Brasileira da história para um amistoso contra o Exeter City, da Inglaterra. Coube a Píndaro e Nery, que formavam a mais forte dupla de zaga do país na época, a honra de serem os primeiros jogadores do Mengão a defenderem o time canarinho. Píndaro fez 11 jogos na Seleção, conquistando a Copa Roca, em 1914, e a Copa América, em 1919.  

Pelo Mengão, Píndaro viria a conquistar o Bicampeonato Carioca em 1915, e defenderia o Manto até 1919, quando largou os gramados para exercer a profissão de médico sanitarista da Prefeitura do Distrito Federal, na época o Rio de Janeiro. Mas o destino iria atuar para tornar o Gigante de Pedra em um dos primeiros heróis da história do nosso Mengão!

Em 1920, o Mengão liderava o Campeonato Carioca, mas havia perdido os zagueiros Burgos e Antonico por lesão. Numa época em que os jogadores não eram tão versáteis, e não existiam as categorias de base para recorrer, o Mengão não tinha mais nenhum zagueiro para colocar em campo. A solução  encontrada foi recorrer a um dos seus antigos heróis, o então aposentado Píndaro, que aceitou o convite na hora, entusiasmado com a possibilidade de defender mais uma vez o Manto Sagrado. 

Mesmo sem ter feito um único treino, Píndaro comandou a defesa como nos  velhos tempos. O Flamengo venceu o Palmeiras-RJ por 5x0, e seguiu no caminho para conquistar o Carioca. Após cumprir sua missão, Píndaro voltou ao trabalho de médico. Viria ainda a disputar mais algumas partidas pelo clube, tendo sua despedida oficial em 1922. 

Após pendurar definitivamente as chuteiras, o ex-zagueiro ainda se tornaria treinador da Seleção, disputando a Copa do Mundo de 1930. E ele não teve culpa da má campanha da seleção. Além dos problemas entre a CBD e a Associação Paulista que impossibilitou a montagem de uma seleção mais forte, Píndaro foi conhecer vários dos seus jogadores apenas no Uruguai, sem tempo pra preparar a equipe. O Gigante de Pedra faleceu em 1965, no Rio de Janeiro.

Píndaro é um dos Heróis do Mengão!


Saudações Rubro-Negras 

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Rafael de Oliveira
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Imagem 1: FlaManolos
Imagens 2 e 3: Google com adaptação de FlaManolos

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"Eu queria ser um poeta para poder te explicar,
mas não consigo traduzir o sentimento de amor que a gente tem pelo Flamengo."

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6 comentários:

  1. Ele foi o primeiro em muitas coisas. Só ai tu ve que nao era viceíno! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  2. Que o espírito de Píndaro contagie nossos jogadores hoje a noite no Engenhão rumo a classificação!

    SRN!

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  3. O grande Píndaro foi nosso primeiro xerifão! Precursor de Rondinelli, Juan, Gamarra, Fabio Luciano e tantos outros que defenderam nossas metas. Que a mesma raça do nosso gigante de pedra contagie os zagueiros que estarão em campo contra o Potosí. Obrigado por tudo, heroi da Nação!

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  4. Flamém! E como disse bem o Rafael, ele se destacou numa época que se jogava um futebol muito ofensivo e "irresponsável". Nossas glórias são eternas!

    SRN

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  5. Mais um grande texto. É muito bom ficar lendo sobre a história do clube, por mim ficaria aqui o dia inteiro. Como o próprio título diz..Centenário de Glórias. Glórias eternas que estarão sempre vivas, o presente, as que estão por vir... e sempre valorizando esse passado incrível do clube!
    O Píndaro mostrou ser um "revolucionário" na posição. Além do grande zagueiro que foi, ousou ir mais além... chegando ao ataque! Também muito legal a história de sua volta depois da aposentadoria, não conseguiu resistir em mais uma chance de vestir o soberano Manto Sagrado!
    Valeu Píndaro, o Flamengo agradece!
    SRN

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  6. Píndaro de Carvalho Rodrigues (Nogueira pelo lado materno) nasceu em S. Paulo em 1892 e faleceu em 1965 no Rio de Janeiro. Fez seus estudos no Colégio Arquidiocesano de S. Paulo, depois no Ginásio Nogueira da Gama, de Jacareí e finalmente, no Anglo-brasileiro de S. Paulo, fase que marca os primórdios de sua iniciação no futebol, esporte no qual viria a ser estrela de primeira grandeza das seleções brasileiras até 1919. Em 1916 diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Iniciou sua vida profissional como médico da Estrada de Ferro Central do Brasil (1918-30) e depois como sanitarista do Ministério da Educação e Saúde, até 1952. No exercício de sua especialidade desempenhou comissões de relevo, como na Campanha contra as endemias rurais, ao lado de Belisário Pena, Carlos Chagas, Lafaiete de Freitas, Barros Barreto e Fontenelle. Durante a epidemia da Gripe, quando ainda muito jovem, foi requisitado pelo Governo de Minas Gerais, tendo prestado assinalados serviços naquele Estado. Foi Diretor do Departamento de Higiene do Distrito Federal, a partir de 1947. Sua carreia de futebolista, iniciada nos tempos de ginasiano, conheceu passagens memoráveis, inscritas na história do futebol brasileiro e internacional. Em 1910, jogando pelo Sport Club Americano, foi campeão da Liga Paulista de Futebol; no ano seguinte, campeão carioca pelo Fluminense. Quem não se recorda ou terá ouvido falar naquele triângulo intransponível: Marcos, Píndaro, e Nery? Na época era apelidado por " Gigante de Pedra". Em 1912, com um grupo de companheiros, foi fundador do Flamengo, com o qual levantou o campeonato de 1914. No mesmo ano jogou pelo Brasil na Copa Roca e em 1919 participou com a seleção brasileira do Sul Americano, ano em deixou o futebol, embora continuasse relacionado com o mesmo, como diretor do Flamengo (do qual foi sócio benemérito), membro da comissão técnica da CBD e ainda preparador (não remunerado) da seleção brasileira para o Mundial de 1930, no Uruguai. Em 1960, quando lhe foi conferida a Medalha do Mérito Esportivo, Píndaro deu por encerradas suas atividades esportivas.

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Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.