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5 de ago. de 2012

Centenário de Glórias - Dequinha


O personagem da nossa série Centenário de Glórias é um volante que fez história no Mengão, mas não é muito conhecido pela grande maioria da nossa torcida: Dequinha. Ídolo do clube, é considerado por muitos como um dos maiores de todos os tempos em sua posição. Inclusive fez parte do melhor Flamengo de todos os tempos, eleito pela revista Placar e pelo Lance.

Nascido em Mossoró-RN, fez sucesso no futebol nordestino atuando pelo Atlético de Mossoró, Potiguar, ABC e América-PE, se tornando um mito por lá. Após uma excursão do Flamengo, chamou a atenção e o clube tentou lhe contratar, mas os torcedores do América-PE se mobilizaram tentando impedir a venda do craque. Para nossa alegria, o presidente do clube pernambucano, Rubem Moreira, era flamenguista doente e autorizou a venda do craque mesmo com os protestos da torcida do clube. Tudo isso pelo seu grande amor ao Mengo.

Veio em 1950, onde jogou até 1959. Defendeu o Manto Sagrado em 384 jogos e marcou 8 gols. Conquistou 14 títulos, incluindo a conquista do Tri Carioca em 1953/54/55. Foi jogando pelo Mengão que Dequinha foi convocado para a Seleção Brasileira, disputando a Copa do Mundo da Alemanha, em 1954. Pela Seleção foram 9 jogos e 1 gol marcado.

Dequinha começou como reserva do paraguaio Modesto Bria, e aos poucos foi adquirindo sua titularidade no time. Em 1952 já era um dos pilares, formando com Jadir e Jordan um trio que entrou para a história do clube. Ele também foi imortalizado no Samba Rubro-Negro, composto por Wilson Batista, em homenagem aos jogadores que conquistaram o Tri de 53/54/55.

"Flamengo joga amanhã
Eu vou pra lá
Vai haver mais um baile no Maracanã
O Mais Querido
Tem Rubens, Dequinha e Pavão
Eu já rezei pra São Jorge
Pro Mengo ser campeão"


Jogando como volante, e algumas vezes até como lateral, Dequinha era dono de um estilo clássico e possuía um toque de bola requintado, sendo considerado um dos últimos grandes de sua posição do futebol brasileiro. Possuía uma ótima resistência física para a época, o que lhe permitia auxiliar o Rubens na criação das jogadas de ataque, além de proteger a defesa. Era conhecido pelas grandes arrancadas e pelos longos lançamentos que gostava de fazer. 

Após dois vasco-campeonatos em 1958 e 1959 o Mengão estava em crise e Dequinha, já com 31 anos, não apresentava mais o mesmo futebol. Para piorar sofreu uma lesão que o afastou do Mengo. Cedeu seu lugar ao então jovem promissor Carlinhos. Magoado com alguns dirigentes, se transferiu para o Buátafogo, mas não apresentou um bom futebol ainda afetado pela grave lesão que sofreu. Jogou por mais alguns clubes pequenos, mas nada que se comparasse ao sucesso de outros tempos.

Dequinha faleceu em 1997, mas é nossa obrigação manter sua memória viva para que seu nome continue eterno na história do Mengão!

Dequinha é um dos Heróis do Mengão!



Saudações Rubro-Negras 

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Rafael de Oliveira

Imagem 1: FlaManolos
Imagens 2 e 3: Google com adaptação de FlaManolos
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23 de mai. de 2012

Centenário de Glórias - Zizinho


O nosso próximo herói da série Centenário de Glórias é o Thomaz Soares da Silva. Por este nome você não saberia falar quem é, provavelmente. Mas de Zizinho, o Mestre Ziza, independente de sua idade, você já deve ter ouvido falar. Melhor jogador brasileiro da época, Zizinho viveu seu auge na década de 40, quando era o comandante do esquadrão que conquistou o Tri Carioca de 1944 e titular da seleção brasileira. Foi o ídolo da infância de Pelé, inclusive há quem o considere melhor do que ele.

Começou a jogar em 1939, no Mengão, depois de ser dispensado do América por ser considerado franzino para ser um bom jogador. Teve uma pequena passagem pelo São Cristóvão, e foi chamado pelo técnico Flávio Costa para participar de um treino no recém-inaugurado estádio da Gávea. Quis o destino que o principal jogador do Mengão na época, Leônidas, se machucasse e saísse do treino. Flávio Costa chamou o menino Zizinho para substituir o maior jogador brasileiro. Zizinho não só não se intimidou, como em 13 minutos arrebentou com o treino, marcando 3 gols. Foi imediatamente aprovado pelo treinador e contratado pelo clube. Valido, titular absoluto do time, disse: "No ano que vem, vou ver se disputo a ponta-direita. Do jeito que esse garoto joga, não haverá lugar pra mim na meia-direita". E por anos não teve vaga pra ninguém.

Aos 19 anos já era titular do Mengão. Era raçudo, habilidosíssimo, preciso nos lançamentos, dribles e chutes de longa distância, chutava forte com a esquerda e a direita, era rápido na armação de jogo, previa as jogadas e tinha uma leitura de jogo sensacional. Por essas e outras, recebeu o apelido de Mestre Ziza. E como disse Nelson Rodrigues: "Bastava os alto-falantes do Maracanã anunciarem o nome de Zizinho para se saber quem seria o vencedor da partida".

Junto com Domingos da Guia e Leônidas da Silva, foi Campeão Carioca de 1939. Com a saída de Leônidas, assumiu o comando do time e logo em seguida conquistou o primeiro Tri Carioca do Mengo. Zizinho jogava tanto que era admirado por todos os jogadores da época. Em 1946, chegou a jogar duas partidas com a perna quebradasem saber da lesão, apenas superando as dores enormes com toda sua raça rubro-negra. Zizinho era marcado pela chegada forte no adversário, tendo inclusive quebrado a perna e acabado com a carreira do paulista Agostinho, num jogo entre Rio e SP em que ambos foram na bola, porém de forma acintosa. Depois de duas fraturas na mesma perna, Zizinho ainda conseguiu se recuperar (na época era raro) e voltou melhor, em 1947.


Deixou o Mengão em 1950, antes da Copa do Mundo, indo para o Bangu. O presidente do Fla, Dario de Melo Pinto, num papo descontraído com o presidente do Bangu, Guilherme da Silveira, seu amigo, disse que qualquer jogador do clube era negociável. Silveirinha, como era conhecido, perguntou quanto ele queria no Zizinho. E falando um preço inimaginável na época (uma fortuna em torno de 800 mil cruzeiros), pra sua surpresa ouviu de Silveirinha: "Então prepare os documentos. Eu pago!". Para não voltar atrás de sua palavra, o presidente aceitou a proposta e vendeu nosso maior craque na época. Zizinho, sem acreditar no que nosso presidente havia feito, assinou o contrato com o Bangu sem ler e disse que jamais jogaria novamente no Flamengo. Numa entrevista, desabafou: "Difícil dizer o que me magoou mais, se a perda da Copa de 50 ou a minha saída do Flamengo. Acho que foi a saída do Flamengo, a maneira como os homens que dirigiam o Flamengo fizeram a transação me machucou muito... Nunca aceitei"A incompetência administrativa no nosso Mengão também é centenária. 

A frustração na Copa do Mundo de 1950 todos conhecem, mas mesmo com a derrota para o Uruguai na final, Zizinho teve um lado positivo para contar, pois foi considerado o melhor em campo. A mídia italiana chegou a chamá-lo de Leonardo Da Vinci, devido a sua classe. Ele, sem dúvida, assim como Leônidas e Domingos da Guia, foi um dos grandes responsáveis pela popularização do Mengo naquele período. O que já era enorme, ficou ainda maior graças à genialidade e o rubro-negrismo deles. 

Em 11 anos vestindo o Manto Sagrado, Zizinho marcou 146 gols em 318 jogos, marca que lhe garante o 9° lugar entre os maiores artilheiros do clubeAtuou pela Seleção entre 1942-57, num total de 54 jogos e 31 gols. É titular em qualquer eleição para a Seleção Brasileira de todos os tempos. Jogou no Bangu até 1957, e de lá foi para o São Paulo, onde ficou por um ano. Com 39 anos foi para o Audax Italiano, do Chile, onde encerrou sua carreira, em 1962. Zizinho faleceu em Niterói-RJ, em 2002.

Zizinho é um dos Heróis do Mengão!


Saudações Rubro-Negras 

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Rafael de Oliveira

Imagem 1: FlaManolos
Imagens 2 e 3: Google com adaptação de FlaManolos
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3 de mai. de 2012

Centenário de Glórias - Lições Flamengas


Quando Deus criou a felicidade, lá em 1895, ele colocou um porém: "Se quiseres a felicidade, terás de lutar contra as dificuldades". Muitas vezes me perguntei o porquê disso, mas a resposta é notada em cada ano de existência do Mengo e nos corações da maior torcida do mundo, que não para de crescer. Para ter outro exemplo, basta olhar pro nosso mascote, que possui estômago forte pra engolir toda a carniça que lhe é imposta, sem perder seu voo imponente. O próprio hino (oficial) mostra isso em seu refrão. A dificuldade não deve desencorajar o rubro-negro ou fazê-lo recuar, e sim mostrar sua coragem, como sempre fez. A essência do rubro-negro consiste em superar barreiras, é isso que alimenta seu espírito.

Lutemos sempre com valor infindo... Que teu futuro ainda será mais lindo. Estas últimas palavras estão presentes no hino e são de autoria do Paulo Magalhães, ex-goleiro do clube. Elas nos mostram exatamente tudo que disse até agora neste post. Que felicidade do Paulo... Também podemos notar essas palavras na nossa fundação, quando a Pherusa, primeiro barco comprado com dificuldade pelos seis jovens remadores, naufragou após uma forte chuva e foi roubado após sua reforma, antes mesmo de entrar em competição, e nunca mais foi visto. Antes de superar seus adversários, o Flamengo teve que superar a si mesmo. Lutou contra a força da natureza e as injustiças do mundo e perdeu a batalha, mas sobreviveu e venceu a guerra. Fundou a raça, a fé e a coragem antes mesmo de seu escudo.

Nos gramados, podemos lembrar de inúmeros heróis, dois deles já citados aqui na série Centenário de Glórias, que passaram por cima de suas condições físicas pra vencer em campo. Como explicar a fato do Moderato ter entrado na final de 1927 apenas 2 dias depois de ter aberto a barriga numa cirurgia delicada? Ele sabia de sua importância pro time, talvez, mais que a importância de sua própria vida. Assim como Valido, que entrou em campo com 39 graus de febre e há quase 2 anos aposentado, em 1944, pra nos dar o primeiro Tri. E o que seria do nosso Penta-Tri inédito se não fosse a coragem e raça de Valido? Como explicar a final de 1927, após o time ter sofrido um desmanche antes do campeonato começar, ter convocado jogadores da base e aposentados às pressas e ver seu ídolo, o maior ponta-esquerda da história do futebol brasileiro, segundo Flávio Costa, arriscar sua vida em campo? E o que seria da nossa geração de ouro se não fosse a fé e a luta de todo o time em 1978, aliada com o heroísmo e o voo insuperável de Rondinelli no final do jogo? Este foi o início das nossas maiores glórias.

É... O Flamengo nos traz felicidade e verdadeiras lições de vida. Ele me ensinou a ter fé, a lutar por aquilo que acredito até o último segundo. Me ensinou que nada na vida é fácil, e que a superação e a persistência caminham lado a lado. Impossível? Esta palavra só foi inventada porque não existia o Flamengo na época. Você está lá embaixo hoje, mas com raça, trabalho e comprometimento você pode estar lá em cima amanhã. O Flamengo me mostrou que a vaidade, ganância e individualidade, juntas, destroem qualquer ambiente, qualquer projeto. A união das pessoas faz a diferença e todo esforço é válido quando se faz com amor. Me ensinou que vestir a camisa é muito mais que um simples ato do dia a dia. Às vezes é importante arriscar, mas sempre devo estar preparado e atento às oportunidades. Não basta ser bom, tem que ter espírito de luta. Aprendi que humildade, trabalho e amizade são ingredientes muito fortes e que podem te dar a alegria de uma conquista mundial. Me ensinou a nunca abaixar a cabeça pra uma derrota, pois ela faz parte da vida e nos faz crescer. O Flamengo me ensinou que todo mundo precisa de um sorriso e um abraço, e que esta pessoa pode estar do meu lado vestindo as mesmas cores, mesmo que não a conheça.

Hoje, há exatos 100 anos do primeiro jogo, existem muitos outros fatos que transbordam rubro-negrismo. Algumas delas veremos na sequência desta série. Devemos olhar pra tudo isso antes de tomarmos qualquer atitude diante das dificuldades, seja em nossa vida pessoal/profissional ou rubro-negra, se é que existe esta separação. Nossa história gloriosa foi construída, orgulhosamente, graças às barreiras que insistem em passar pelo nosso caminho. Quanto mais eu vivo o Flamengo, mais o amo. E como você já cantou, lute hoje com valor infindo, que o futuro do Mais Querido será ainda mais lindo. Você pode, você deve.

Saudações Rubro-Negras

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Renato Croce (Alexi Lalas)
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10 de abr. de 2012

Centenário de Glórias - Agustín Valido


Não teria momento melhor do que este para falar do nosso próximo personagem da série Centenário de Glórias. Um argentino que decidiu o nosso primeiro Tri Carioca com um gol aos 41 minutos do segundo tempo em cima dos nossos fregueses favoritos. E ainda podemos lembrar do Lanús, nosso próximo adversário na Libertadores e um dos três clubes por onde ele jogou. 

Agustín Valido nasceu em Buenos Aires e começou a jogar no Boca Juniors em 1934, conquistando logo um campeonato argentino. No final da temporada, se transferiu para o Lanús, onde ficou até 1937. Nesse ano, disputou um amistoso no Rio de Janeiro contra a gente por um combinado argentino chamado Becar-Varella. Sua atuação despertou o interesse dos dirigentes do Mengo, que resolveram contratá-lo. A vida de Valido mudou drasticamente depois da vinda dele ao Rio, sem nenhuma pretensão. Se aposentou no Flamengo, seguiu a vida no Brasil, foi herói e formou um dos maiores sistemas ofensivos da história do clube: Valido, Zizinho, Pirilo, Perácio e Vevé. Quinteto de quase 600 gols pelo Mais Querido.

Em 1944, já aposentado, Valido disputou na Gávea uma pelada com operários da sua gráfica. Tendo uma boa atuação sob os olhares do grande treinador Flávio Costa, recebeu um convite para ajudar o time na reta final do Carioca. O treinador estava cheio de problemas, com muitos doentes, machucados e até com jogador convocado pelo Exército, caso do Perácio, que trocou suas famosas bombas de chuteiras pelas bombas da guerra. Consciente de tudo isso e por amor ao Flamengo, Valido aceitou.

Após ficar um ano e sete meses sem jogar profissionalmente, voltou a campo no penúltimo jogo da campanha do Tri, contra o FlorminenC. O resultado? Ajudou muito na sonora goleada de 6 a 1! Mas o esforço durante a partida e a falta de ritmo de jogo deixaram Valido quase incapaz de andar, e teve a situação agravada pela febre alta durante a semana da decisão. Flávio Costa, não tendo outras opções, não abriu mão da presença do ponta-direita argentino na decisão contra os nossos eternos vices. E mesmo com 39 graus de febre, Valido foi pro jogo.


Flamengo, Flamengo... Tua glória é lutar! E o time lutou muito, mas sem conseguir tirar o zero do placar, que dava o título pra eles. Foi então que apareceu Valido no meio do miolo, aos 41 minutos do segundo tempo. Vevé bateu uma falta pela esquerda e o argentino, subindo mais que a marcação dos Vices, cabeceou febril pro fundo do barbante! Foi o gol da raça, da luta, do amor ao Manto Sagrado, do nosso primeiro Tri! 

Os Vices choraram muito. Para eles, Valido se apoiou com os braços no Argemiro. Tentaram de todas as formas possíveis invalidar o gol e a partida. Levaram até o filme do jogo pra Federação, mas de nada adiantou todo o chororô e o Mengão continuou Tri. E realmente não houve nada. Zizinho, que considerava, até 1979, este time do Tri o melhor Flamengo de todos, deu depoimentos explicando o lance, mostrando que não houve falta alguma, assim como o próprio Valido já declarou. E segundo Ary Barroso, o gol teria que ser de mão para aumentar a raiva dos Vices. Seria o primeiro gol de mão decisivo da história de um argentino. Né, Maradona? Mas quis o destino que fosse com uma testa em chamas, repetido depois pelo Deus da Raça, iniciando o grande terceiro Tri da nossa história, também aos 41 minutos do segundo tempo e com o mesmo vice.

Valido vestiu o Manto Sagrado em 143 jogos e marcou 45 gols, entre 1937 e 1944. Conquistou os Cariocas de 1939, 1942 e 1944, mas só entrou definitivamente na galeria dos grandes heróis do clube após sua "aposentadoria". Faleceu com 84 anos, em 1998, e não conseguiu acompanhar a nossa quarta campanha do Tri, que iniciou um ano depois e terminou com outro gringo decidindo, também no finalzinho do jogo e, pra variar, com o mesmo vice. Repararam que só neste post eles foram vices três vezes?

Já no final de sua vida, Valido afirmou que o Flamengo foi o seu maior amor, onde viveu as maiores emoções. A história dele é um grande exemplo do puro Flamengo. Este argentino, que se transformou num legítimo carioca, se consagrou pelo seu heroísmo e amor ao Mais Querido. Como já foi dito aqui, enquanto houver amor ao Flamengo, Valido e tantos outros viverão. Eterno Valido... Eterno.

Abaixo, um vídeo editado especialmente para este post.
Depoimentos do próprio Valido misturados com cenas do feito de 1944.

Valido é um dos Heróis do Mengão!

Saudações Rubro-Negras 

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Rafael de Oliveira
(Com trechos de Renato Croce)

Imagem 1: FlaManolos
Imagens 2 e 3: Google com adaptação de FlaManolos
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22 de mar. de 2012

Centenário de Glórias - Domingos da Guia


Nosso próximo ídolo na série Centenário de Glórias é um dos maiores zagueiros da história do futebol mundial. Se alguém montar a seleção de todos os tempos do Mengão, sua escalação será certa entre todos que conhecem a história do clube. Em toda sua carreira, sua melhor fase foi com o Manto Sagrado ao lado de Leônidas, Biguá, Valido, Pirilo e Zizinho, entre outros craques e ídolos rubro-negros.

Domingos é pai do Ademir da Guia, maior ídolo do Palmeiras, e  irmão de Ladislau da Guia, maior artilheiro da história do Bangu. E foi no próprio Bangu que ele foi revelado, em 1929. Domingos da Guia logo partiu para o futebol internacional, em 1932, indo para o Nacional-URU. Jogou também no nosso eterno Vice e no Boca Juniors, sempre conquistando títulos e fazendo história. Chegou ao Mengão em 1936, com 25 anos, mas já apelidado pelos jornais argentinos de El Divino.

Domingos, na época, chegou a ser considerado o maior jogador brasileiro em atividade, algo improvável para um zagueiro. Ao contrário de seus companheiros de posição, jogava de cabeça erguida, driblando todos que tentassem entrar em seu caminho. Essa era sua marca registrada: dominava a bola, driblava o adversário e passava na direção do meio-campo, sempre de cabeça em pé. Jogada de extrema habilidade e risco, mas que sempre foi perfeitamente executada, sendo batizada depois de Domingada. Ele foi o primeiro zagueiro clássico do nosso futebol.

Considerado o maior zagueiro da história do futebol brasileiro, era um excelente marcador e não precisava usar a violência para desarmar seus adversários. Domingos tinha perfeita noção de colocação, se destacando na antecipação. Era muito inteligente e sempre observava bem o jogo, prevendo as jogadas adversárias. Zizinho, seu companheiro e também um dos monstros do nosso futebol, disse que montaria sua seleção ideal com quatro nomes certos: Pelé, Nilton Santos, Leônidas da Silva e Domingos da Guia.


De técnica refinada e estilo clássico, Domingos recebeu, já aos 20 anos, o apelido de Divino Mestre. Um exemplo do seu talento e fama foi um Mengão x Buátafogo disputado nas Laranjeiras. Domingos se antecipou ao atacante Heleno de Freitas e deu um chutão, algo raríssimo em sua carreira. Espantados, os tricoletes vaiaram o craque. Muito irritado com a situação, a fera deu a resposta no lance seguinte: na saída de bola, recebeu o passe do goleiro, posicionou-se na linha do gol e pisou na bola, chamando os adversários. Os rubro-negros do estádio não queriam ver aquilo, ao contrário dos tricoletes, encantados. Cinco alvinegros, liderados por Heleno, partiram para cima de Domingos e foram driblados, um por um. Foram cinco dribles secos. Na sequência, Domingos acertou um lançamento de 50 metros e deixou Vevé na cara do gol. O estádio inteiro explodiu.

Foram no total 223 jogos pelo Mengão, comandando a nossa zaga sempre com muita qualidade, conquistando o Carioca de 1939, 42 e 43. Defendeu também a seleção brasileira, disputando 30 jogos, inclusive a Copa do Mundo de 1938. Foi campeão da Taça Rio Branco, em 1931 e 1932, e da Copa Rocca em 1945. Após sair do Mengão, em 1943, Domingos foi para o Corinthians, onde também fez história antes de se aposentar no clube que o revelou, o Bangu, em 1949.

Domingos é um dos Heróis do Mengão!


Saudações Rubro-Negras 

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Rafael de Oliveira

Imagem 1: FlaManolos
Imagens 2 e 3: Google com adaptação de FlaManolos

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13 de mar. de 2012

Centenário de Glórias - Leônidas da Silva

Acompanhe a série clicando aqui.

Há duas semanas, saiu uma matéria sobre o Juan, ex-zagueiro do Mengão, dizendo que ele foi vítima de racismo na Itália, no clássico entre Roma e Lazio. Atitude sempre reprovável. O preconceito no futebol ainda existe, e felizmente tal ato passa longe da Nação. Muito disso devemos a Leônidas da Silva, um dos maiores craques do futebol brasileiro, ídolo do Flamengo e personagem deste post da série Centenário de Glórias. 

Leônidas teve uma infância simples, onde jogar futebol ocupava grande parte de seu tempo. Em 1922, com a morte do pai, foi adotado pelos patrões de sua mãe. E como seu pai adotivo tinha um bar perto do campo do São Cristóvão, Leônidas passou a jogar nas categorias de base do clube. Jogou em vários clubes do subúrbio carioca, se destacando no Bonsucesso, onde jogou até basquete.

Passou pelo Penãrol (URU) e pelo nossos eternos vices, Vasco e Botafogo. Em 1936, depois de muita insatisfação com o Botafogo, pois ficou 6 meses encostado pelo único fato de ser negro, foi contratado pelo Mengão, ajudando a quebrar o preconceito. Ele foi um dos primeiros jogadores negros do Flamengo. Vendido por apenas 5 contos de réis, uma mixaria na época, se sentiu humilhado e desprezado, e botou em sua cabeça que iria arrebentar com o Manto Sagrado e mostrar para todos que era um craque diferenciado.

E foi no Fla que Leônidas  se consagrou, sendo artilheiro dos Cariocas de 1938 e 1940, e principal jogador na campanha do título de 1939. Foi convocado para as Copas do Mundo de 1934 e 1938. Na França, ele acabou como artilheiro e melhor jogador. E dois fatos curiosos: Leônidas teve sua chuteira rasgada, continuou em campo descalço e marcou, assim, um dos seus 3 gols contra a Polônia. Ainda nesta Copa, teve um gol de bicicleta anulado, pois o árbitro não conhecia a técnica que o próprio Leônidas havia inventado. O Brasil foi eliminado nas semifinais pela Itália por 2 a 1, jogo em que estava desfalcado do craque Leônidas, e terminou em terceiro lugar.


Domingos da Guia, lendário zagueiro rubro-negro e companheiro de Leônidas na Copa de 1938, um dos 3 jogadores mais badalados do país ao lado dele, na época, disse: "Leônidas foi o jogador mais perigoso que vi jogar e o mais difícil que já marquei". Não é à toa que quem o viu jogar considera melhor que Pelé. Mas como na época os jogos não eram televisionados, não dá pra saber quem tem razão. Ele retornou ao país consagrado por todos com desfile em carro aberto. No auge de sua popularidade, a empresa Lacta fechou um contrato com ele e passou a fabricar o chocolate Diamante Negro. Era o início da publicidade com a imagem do jogador, que hoje é tão comum. Por causa da sua elasticidade, também ganhou o apelido de "Homem Borracha".

Valente, impecável no drible, chute e cabeceio, era extremamente técnico, veloz e tinha ótima impulsão. Atuou em todas as posições do ataque do Mais Querido. Era capaz de criar grandes jogadas e produzir momentos inesquecíveis aos que o assistiam. O craque foi um dos responsáveis pelo meteórico crescimento de popularidade do clube naquele período. O que já era a alegria do povo, como vimos no post anterior da série, cresceu ainda mais. Um dos primeiros ídolos negros de todo o país, de todos os seguimentos, que contou com o Mais Querido pra quebrar barreiras e fazer história.

Em 1941, quando era considerado o maior craque brasileiro, Leônidas passou  meses preso no quartel, com a descoberta de uma falsificação em seu certificado de alistamento militar. O episódio, somado ao seu temperamento forte, gerou uma série de desentendimentos com o presidente Gustavo de Carvalho, que o fizeram deixar o clube em 1942. Em 149 jogos com o Manto Sagrado, Leônidas fez 153 gols, tendo uma média de gols incrível, 1,03 por partida, a melhor do clube! É o 7° maior artilheiro da história do Flamengo.

Leônidas se transferiu para os Bambis paulistas por 200 contos de réis, na época uma transação milionária. Também fez história por lá, conquistando 5 Paulistas. Após se aposentar, virou comentarista esportivo de sucesso. Leônidas da Silva teve Alzheimer e a doença comprometeu sua saúde progressivamente. Morreu em 2004, aos 90 anos. Será para sempre uma jóia, um diamante rubro-negro!


Veja esta curta, mas bela homenagem ao Leônidas:


Leônidas é um dos Heróis do Mengão!


Saudações Rubro-Negras 

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Rafael de Oliveira
(Com trechos de Renato Croce)

Imagem 1: FlaManolos
Imagens 2 e 3: Google com adaptação de FlaManolos
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27 de fev. de 2012

Centenário de Glórias - Moderato

Acompanhe a série clicando aqui.

Até onde vai o amor de um jogador por um clube? Pensar nisso hoje em dia parece até loucura, pois esse "amor" acaba quando pinta a primeira proposta irrecusável, mas antigamente existia amor ao clube. Como vimos aqui na série Centenário de Glórias, Píndaro voltou atrás da sua aposentadoria para atuar pelo Mengão em 1920. E como veremos nos próximos posts, Valido, em 1944, fez a mesma coisa. Mas Moderato fez algo inimaginável: arriscou sua vida em campo pelo Flamengo.

Moderato foi um ponta-esquerda que defendeu o Manto Sagrado de 1923 a 1930, marcando 27 gols em 147 jogos. Conquistou os Cariocas de 1925 e 1927. Foi com o Manto que atingiu o ápice de sua carreira, o que lhe rendeu a convocação para a Seleção Brasileira em 1925. E segundo Flávio Costa, ex-técnico do Mengo com mais de 700 jogos e companheiro do Moderato nos gramados, ele foi o maior ponta-esquerda da história do futebol brasileiro.

Moderato era gaúcho e começou sua carreira em 1920, sendo contratado pelo Mengão em 1923. Fez sua estreia em 27 de maio, numa goleada de 4 a 1 sobre os Chorões. Ele encantou a torcida com seu futebol, mas só conquistou seu primeiro título 2 anos depois, o Carioca, atuando ao lado de grandes nomes, como o grande zagueiro Penaforte e Nonô, um dos grandes artilheiros do clube. Nesse mesmo ano, Moderato conquistou outros quatro títulos menores, mas seu grande momento ainda estava por vir.

Iniciamos o Carioca de 1927 enfraquecidos. O clube havia dito ao Paulistano que emprestaria o campo da Rua Paysandu pra treinarem. Então, a liga carioca disse que suspenderia o Flamengo, caso isso se confirmasse. Como os clubes tinham uma boa relação, o Mengo manteve a palavra e cedeu o campo. Acabamos suspensos por um ano. - Disputar um campeonato sem o Flamengo? - Jamais. Nossos dirigentes, os torcedores e os próprios clubes do campeonato pediram clamorosamente o nosso retorno. A liga não teve pra onde correr... O Mengão, já em 1927, era a alegria do povo!

Com a suspensão, inicialmente, o time foi desfeito, pois ninguém queria ficar um ano parado. O time foi montado às pressas, formado por uma mistura da nossa base e jogadores aposentados, do Flamengo e de outros clubes. Tivemos um início ruim, chegamos a tomar até goleadas, mas com muita raça conseguimos uma reação inacreditável no campeonato, vencendo quase todos nossos adversários. O título foi decidido entre Flamengo, América e o FlorminenC. O Mengo e o América se enfrentariam no último jogo do campeonato, na época de pontos corridos. Assim, o vencedor seria o campeão. 

Após uma crise de apendicite, Moderato foi submetido a uma cirurgia. Vale ressaltar que na época era uma cirurgia delicada, já que os avanços na Medicina ainda eram limitados. Mas sabendo da importância do jogo, e ainda mais, da sua importância para o time, o ponta-esquerda, ainda debilitado, foi para o jogo decisivo com uma cinta para proteger os pontos da cirurgia, que tinha realizado apenas alguns dias antes.

O Flamengo começou o jogo na frente, com gol de Nonô. No início do segundo tempo foi a vez de Moderato marcar, 2 a 0. O América diminuiu e começou uma pressão pelo gol de empate. Tínhamos um time limitado, mas depois de passar por tantos obstáculos, não poderíamos tropeçar no último. Foi aí que nasceu a mística de que a camisa jogava sozinha.  O Mengão fez valer toda a sua mística e aguentou a pressão do América. De forma heróica, conquistamos o Campeonato Carioca de 1927, mais um lindo capítulo da história do Flamengo. Um ato de heroísmo que, para todos os rubro-negros e amantes do futebol, jamais se apagará. 

Moderato se tornou ainda mais do que um ídolo do clube, tornou-se um herói! Nas palavras de Ruy Castro: "A idéia de que Moderato pudesse morrer em campo, com os pontos estourados e o sangue confundindo-se com o vermelho da camisa, tudo isso pelo Flamengo, era demais para o homem comum”. Não consta em registros oficiais, mas teria ido pro jogo exatos 2 dias depois de ter aberto a barriga na mesa de cirurgia. Heroísmo inimaginável nos dias atuais! Amor ao Manto Sagrado!

Moderato tornou-se o primeiro gaúcho a ser convocado para a Seleção Brasileira, sendo chamado para disputar a Copa do Mundo de 1930. Jogou apenas uma partida, contra a Bolívia, e fez 2 gols, tornando-se o primeiro jogador do Mengão a ter disputado e a ter marcado um gol pela Seleção em Copas. Após a Copa, Moderato deixou o Mengo e retornou para sua cidade natal, jogando por lá e se aposentando 2 anos depois.

Sua morte foi em 1986, com 83 anos, mas Moderato sabia que estava eternizado. Ele escreveu um capítulo em nossa história que orgulha a Nação e enaltece o Flamengo, e é isso que a série Centenário de Glórias continuará buscando. Moderato foi mais que um jogador, foi mais que um dos maiores da sua posição. Moderato foi um verdadeiro herói do Clube de Regatas do Flamengo.

Moderato é um dos Heróis do Mengão!

Nota: Pedimos desculpas pela qualidade das imagens. Infelizmente, apesar de muita procura, incluindo amigos colecionadores, pesquisadores e o próprio Clube de Regatas do Flamengo, não foi possível localizar imagens melhores. E agradecemos ao CRF, que gentilmente nos enviou imagens de seu acervo.


Saudações Rubro-Negras 

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Rafael de Oliveira
(Com trechos de Renato Croce)

Imagem 1: FlaManolos
Imagens 2 e 3: Acervo do CRF com adaptação de FlaManolos
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8 de fev. de 2012

Centenário de Glórias - Sidney Pullen


Acompanhe a série clicando aqui.

Dando continuidade à série Centenário de Glórias, nosso homenageado de hoje é o primeiro jogador estrangeiro a se destacar com o Manto Sagrado, e o único estrangeiro a jogar pela Seleção Brasileira: o inglês Sidney Pullen!

Nascido em Southampton, Pullen veio para o Brasil ainda criança. Em 1910, começou a jogar no Paysandu, time que possuía forte ligações com os ingleses. Foi Campeão Carioca em 1912, justamente sobre o Mengão, que acabava de formar seu time de futebol. Com apenas 17 anos, foi o destaque da conquista, sendo decisivo nos confrontos diretos conosco, vitória por 2x1 e empate de 1x1, marcando em ambas.

Seu talento chamou a atenção do Mengão, que logo tentou sua contratação, mas Pullen rejeitou a transferência devido à forte ligação com os ingleses e com o Paysandu. Mas Pullen logo teria que voltar atrás de sua decisão, pois em 1915 o Paysandu encerraria suas atividades após perder o título Carioca de 1914 para nós. Pullen transferiu-se então para o Mengão e levou junto seu pai, que assumiu a tesouraria do clube e foi o responsável pelo uniforme Cobra Coral. 

Jogador de muita mobilidade, o que dificultava a marcação adversária, e dono de uma canhota habilidosa, Pullen tinha uma grande capacidade de enxergar o jogo, sendo responsável por muitas assistências. Além disso, era um líder nato, orientando, cobrando e motivando seus companheiros em campo. 

Marcou seu 1° gol no dia 2 de Maio de 1915, numa partida contra o Rio Cricket, em um empate por 2x2. Pullen se entendeu rápido com o goleador do time, Ricardo Riemer, e juntos lideraram a conquista do Carioca de 1915. Foi inclusive o vice-artilheiro, com 6 gols.
Seu alto rendimento com o Manto Sagrado lhe rendeu o que é até hoje um fato inédito: atuar com a camisa da Seleção Brasileira. Disputou o Sul-Americano de 1916 na Argentina, jogando em três partidas. No mesmo ano recebeu uma outra convocação, mas dessa vez nada agradável: foi chamado pela Inglaterra para lutar na Primeira Guerra Mundial, afastando-se assim do Mengão e do futebol.

Retornou em 1917 para a Gávea, sua casa. Com Pullen de volta, tivemos algumas conquistas em torneios menores, mas ficamos num jejum de cinco anos no Carioca. O jejum só terminou em 1920, e no ano seguinte veio o Bicampeonato. Ambas conquistas foram liderados pelo craque inglês. 

Motivado e em seu auge físico e técnico, Pullen encantou a todos. Versátil, chegou a atuar como atacante, meia avançado, mais recuado e até como zagueiro. Sua visão de jogo fez com que seus companheiros fossem sempre presenteados com passes açucarados. Foi a sua consagração definitiva, sendo considerado na época como o maior ídolo do clube.

Sidney Pullen defendeu  o Manto Sagrado de 1915 até 1923, conquistando um total de 17 títulos. Com 130 jogos disputados, é o 8° estrangeiro com mais partidas disputadas pelo clube. Marcou 47 gols, sendo o 4° maior artilheiro estrangeiro. Hoje existe um sérvio que é ídolo de gerações, mas tivemos outros gringos que encantaram também, e essa tradição começou nos primeiros passos do nosso futebol. Pullen, Bria, Valido, Garcia, Reyes, Doval... Petkovic.

Em 1925, já após ter se aposentado, fez parte da comissão técnica que escalava a equipe na época, ajudando a montar o que foi considerado o primeiro esquadrão do clube, time que seria Campeão Carioca naquele ano.


Sidney Pullen é um dos Heróis do Mengão!


Saudações Rubro-Negras 

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Rafael de Oliveira
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Imagem 1: FlaManolos
Imagens 2 e 3: Google com adaptação de FlaManolos
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Uma vez Flamengo, sempre Flamengo.